16 de junho de 2014

Sobre a sexualidade das cores

Há tempos venho percebendo a sexualidade das coisas. Sim, das coisas... As pessoas, por alguma razão certamente escusa, têm ressaltado a necessidade de demarcar a sexualidade alheia pelas cores que usam ou preferem. Você pode me dizer: "Mas sempre foi assim!" E eu pacientemente seria capaz de compreender, mas não é o caso.

Eu sei que você tem razão ao fazer essa afirmação, mas as coisas sempre são como são pelo simples motivo de aceitarmos as normas sociais de um determinado momento histórico, sem nos propormos a discuti-las ou questiona-las. Foi assim com as noções de "inteligência", a ideia de Deus, os movimentos higienistas e a escravidão. Tudo sempre muito "normal"e até mesmo bem explicado e fundamentado. Mas o que quero propor é uma reflexão sobre a "normalidade" dos fatos. 

Nascemos em uma sociedade que espera e muitas vezes deseja filhos e, além disso, cria expectativas sobre o sexo da criança seja por questões familiares, pessoais ou irrelevantes. Mas, no geral, o que vemos é uma grande "disputa" que começa antes mesmo da concepção, e apostas sobre o sexo do bebê quando a mulher já encontra-se gestante. Os avanços da medicina permitem esse conhecimento a seu tempo e têm contribuído bastante para melhorias na saúde do bebê e da criança ao longo do seu desenvolvimento, aumentando a qualidade de vida e saúde dessas crianças, ao menos cientificamente. Conhecendo esses recursos e reconhecendo a importância de realizar os exames pré natais, os pais emocionam-se quando descobrem o "sexo do bebê" e dão início a uma corrida interminável pelo planejamento do ambiente ideal para essa criança, definidos prioritariamente pela cor que demarca a sexualidade desse bebê e dizem alegres: "É um menino! Vamos colocar um azul nessa parede e uns carrinhos espalhados pelo quarto!". Caso se trate de uma menina, nesse aspecto há maior flexibilidade podendo variar do rosa ao azul bebê, mas a preferência é pelas cores que antecipadamente definem a feminilidade da menina. Mas será mesmo?

Nos acostumamos tanto com as coisas que achamos bobagem discutir tudo, principalmente algo tão banal quanto o uso das cores que vestem nossos corpos ou que pintam nossas paredes. Cor é cor, isso é uma bobagem. Talvez seja... Mas foi assim que nos convencemos das explicações rasas que mantêm estereótipos de todas as formas, dentre eles aqueles relacionados à sexualidade. E um assunto leva ao outro, confundidamente nós nos acostumamos a falar de sexo, gênero e sexualidade sem saber exatamente do que se trata.

Vamos considerar que o sexo é o "aparato" biológico que me faz afirmar que uma criança é menino ou menina apenas por sua constituição anatômica. Já o gênero envolve uma questão social mais ampla e trata sobre a percepção que os indivíduos têm sobre si mesmos em relação ao sexo ao qual pertencem, reconhecendo-se como "meninos e meninas" ou "homens e mulheres". A sexualidade implica em ir muito além dessas questões e diz respeito à orientação sexual e suas vicissitudes que incluem sexo e gênero, não sendo possível me estender mais do que isso. Mas o grande "medo" da sociedade branca, hétero, cristã e burguesa encontra-se justamente relacionado a esse último conceito: a sexualidade. Num país onde a leitura perde espaço para a fofoca e a vida alheia, esquecemos de nos informar ou não nos interessamos mesmo, e passamos a replicar antigas crenças sobre sexualidade. Uma delas conseguimos reconhecer através das cores. A escolha de uma cor na infância, assim como do uso de certos objetos ou brinquedos, pode definir a nossa sexualidade... E, quando escolhemos a cor mais adequada para cada sexo, evitamos o pior no futuro e tudo se torna uma grande confusão para quem reflete sobre essas questões.

Quem inventou as cores? Melhor! Quem inventou o nome das cores? Quando definimos que "azul é de menino e rosa é de menina?" Onde está o manual sócio adaptativo das cores às pessoas? Não quis pesquisar sobre isso porque a proposta é falar de comportamentos cotidianos a partir de um olhar menos "científico" e mais analítico, mas fica a sugestão.

Em muitos dos meu passeios à livraria notei que a loja tem adesivos de duas cores diferentes para colar nas embalagens para presente: rosa e azul. O rosa é muito "pink" e o azul é num tom forte, talvez para não deixar dúvidas sobre a sexualidade das cores. Afinal, elas devem ser claras quanto àquilo que desejam comunicar. E num deses momentos, ainda na fila para embalar presentes, me chamou a atenção a pergunta da embaladora: "É para menino ou para menina?" no que a cliente prontamente respondeu "para menina" e ela colou o adesivo "pink" para a menina se sentir mais menina e a presenteadora sentir-se satisfeita por sua contribuição nesse quesito. A minha vontade foi perguntar se havia diferença, mas não achei conveniente interferir na conversa alheia. Pacientemente, esperei a minha vez...

E ela chegou. Certo dia, escolhi um livro e pedi para embalar numa embalagem infantil e, confesso, já havia me esquecido que existiam adesivos azuis e pinks, quando a embaladora perguntou: "É para menino ou para menina?" e eu pensei um pouco... "Tanto faz!". Senti que ela não esperava essa resposta e, confusa, insistiu: "Eu preciso saber para colocar o adesivo" e eu "Tanto faz!" e acrescentei "Não faz diferença a cor do adesivo. Escolha um". Então, inconformada, ela, passando a mão alternadamente sobre o adesivo rosa e o azul como se fizesse "uni-duni-tê", retrucou: "Então vou escolher o azul, porque se for menino o rosa é muito pink". Aceitei seu argumento irrefutável e deixei que ela colasse o adesivo,saindo sem dizer palavra sobre o sexo da criança.

Talvez eu não mude o mundo questionando sobre as cores, mas ao menos podemos pensar que a sexualidade está em nós e que precisamos de muito mais do que cores adequadas para discutir essa questão.


25 de julho de 2013

Sobre equidade e diferenças

No último domingo tive o imenso prazer de ser convidada, e porque não, intimada a assistir um show musical sobre o qual não tinha ideia das sensações agradáveis que  me traria. O show era de um cantor baiano, famoso por sua união musical com outros artistas, de nomes mais divulgados do que o seu, conhecido como Paulinho Boca de Cantor. Mas, o que esperar desse ilustre cantor, incrivelmente desconhecido de muitos, em um show matinal de domingo a preço tão popular?

Era domingo, o show começaria às 11 horas, tinha visto no panfleto. Começava a minha semana oficial de folga antes de retomar fervorosamente os estudos e o trabalho, estava precisando. O cansaço me consumia demais e, mais do que ele, um sono interminável que me fez de início recusar o convite de sair daquela cama maravilhosa, que tanto satisfazia as minhas necessidades mais imediatas. Não levantei. Minutos depois recebi um telefonema que me dizia: "Venha, levante e venha me encontrar aqui! Ainda dá tempo". Algo além daquele telefonema me convidava a sair da cama, por mais insano que pudesse parecer naquele momento. De súbito, levantei! Lavei o rosto, coloquei uma roupa, tomei um leite e saí. Já não lembrava mais do sono, apesar dos meus olhos dizerem o contrário.

Já na porta do teatro, havia algum movimento. Subi as escadas, paguei R$ 1,00 e, de posse do bilhete, entrei no teatro. Antes de iniciar o show houve uma apresentação de balé. Era algo muito abstrato, algo que eu certamente não consegui alcançar. Mas o show musical seria diferente. Nele o cantor se propôs a contar entre introduções e músicas de compositores conhecidos, a história da música baiana. Que ideia simples e genial ao mesmo tempo. O repertório foi muito bem escolhido e nos apresentou primorosamente toda alegria e singularidade da música baiana desde 1902 aos dias de hoje. Sensacional! Mas houve algo mais do que um excelente repertório cantado por um cantor animado, competente e sua banda maravilhosa. Surpreendentemente havia algo de sensacional na platéia também.

Como podem imaginar, a música baiana tem uma origem alegre, algo que nos instiga a mexer com o corpo, além de transbordar a nossa alma de felicidade. Era algo como um samba, não sou boa em classificações musicais, mas era uma música alegre e instigante do ponto de vista corporal. Creio que não houve quem não se movimentasse, mesmo que discretamente, sentados em suas poltronas. Mas dentre todos aqueles que assistiam comportadamente ao espetáculo, um se destacou. Um rapaz jovem, levantou-se e começou a sambar. Movimentava o corpo de forma tão entusiasmada que o público encantou-se. Não satisfeito ele foi até a frente do palco, e lá apresentou seu show de dança particular de forma espontaneamente encantadora. A sensação que tive foi de emoção. As lágrimas me vieram aos olhos de forma que me senti tomada por uma espécie de alegria e contentamento. Me senti plena e feliz. Aquele menino havia me tocado a alma.

Mas existem protocolos! Estávamos no teatro mais importante e conhecido da cidade e aquilo seria inapropriado demais para ser permitido. E, para resolver essa questão "desconfortável" o pessoal do apoio foi conversar com o garoto. Certamente estavam lhe solicitando que sentasse e ficasse "quieto", como deveria ser. Aprendemos isso desde pequeno: "Não mexa nisso!" "Não faça aquilo!". Talvez num primeiro momento eles não tenham notado, e eu prefiro acreditar que não, mas o garoto tem a chamada Síndrome de Down. Ele voltou para o seu lugar, após resistir muito pouco (sua resistência foi continuar dançando enquanto a moça lhe falava ao ouvido) e sentou-se como todas as outras pessoas que lá estavam, comportadas, reprimidas, moldadas pelas convenções sociais que regulam nossos comportamentos.

Não adiantou muito. Ele levantou-se novamente ao som de outra música animadíssima e em poucos segundos, tornou-se atração coadjuvante do show pelo qual havíamos pagado. Seu espetáculo era lindo, brilhante e emocionante demais! Ele deixou a muitos de nós encantados, desejantes quem sabe, de estar no seu lugar e podermos também dançar ao som daquelas músicas instigantes e deliciosas. Novamente alguém falou ao seu ouvido. Dessa vez ele demorou mais um pouco, mas sentou-se ao final da música escolhida por ele, para deliciar-se com sua dança.

Já estávamos para mais da metade do show, que durou cerca de uma hora e meia, e uma moça de vestido vermelho que estava do outro lado do salão, levantou-se e, descalça, começou a dançar animadamente pelas escadarias do teatro. O rapaz, ao vê-la se remexendo, pareceu não resistir e levantou-se novamente. Dessa vez, ele voltou à frente do palco e dançou como antes... A moça desceu e fizeram um dueto de corpos na frente de todos que batiam palmas e gritavam de contentamento. O show tinha algo a mais, algo inesperado, algo de sensacional que ninguém jamais poderia imaginar. Não fosse a espontaneidade do momento, aquilo não valeria muito. Mas sim, teve um valor imensurável! A moça logo retornou ao seu lugar, mas ele continuou. E daí em diante foi difícil contê-lo. Ele permaneceu na frente do palco e os organizadores pareceram se render à naturalidade daquele show à parte que acontecia para todos nós. Jogaram luz no garoto. Aquela luz que destaca o ator principal num monólogo. E ele dançou. Dançou com sua sombra projetada, dançou consigo mesmo e dançou com todos nós. Foi algo indescritivelmente emocionante e inesquecível. Me senti apaixonada por aquele menino e pela espontaneidade que ele ali estava representando a todos nós. Um tapa na cara de tanta hipocrisia social sobre como devemos nos comportar. O que esse menino nos deu foi uma verdadeira lição de comportamento, educação, liberdade e convivência social. Nos ensinou um pouco sobre as desnecessidades de tanta formalidade.

Por que não dançar e dançar e dançar...? Verdadeiramente, nenhuma ordem se quebrou. Ele nos mostrou que há civilidade no incomum. Os seres humanos tradicionais seriam mais interessantes se aprendessem com aqueles que nos fazem viver em pensamento o que não temos coragem de viver em sociedade. Saí de lá querendo registrar esse momento na esperança de que a leitura desse texto me traga um pouco a emoção que senti naquele dia e da liberdade que pretendo imprimir na minha vida a partir de hoje.

30 de dezembro de 2012

A chegada do novo

Para mim existe uma grande diferença entre o dia 31 de dezembro e o primeiro dia do novo ano. Não pelas mudanças que posso vir a implementar nos próximos 365 dias, mas porque nunca gostei de despedidas. 

Pelas minhas lembranças nunca gostei da festa do réveillon, ao contrário da maioria das pessoas ao que parece. Por outro lado, o dia primeiro de janeiro sempre me traz uma sensação de renovação, de novos projetos em prática e de muitas surpresas... Novamente, não é pelo envolvimento da campanha que se faz em torno do novo que um ano vindouro pode trazer, mas por efetivamente conseguir associar essas experiências à minha vida e às novas oportunidades que aprendi a criar, ainda no final de cada ano velho. Bons projetos para o novo ano trazem sempre sensações agradáveis a mim. Sentir-se útil, renovada, amadurecida, competente. Isso é muito gostoso! Mas pensar em deixar para trás as lembranças do que vivemos não me deixa confortável. Eu acho que sei explicar, mas ainda não me sinto disposta a me abrir sobre isso. O fato é que não gosto de réveillon. Esse clima de festa, antecipações, preparações, roupas, cabelos, sapatos, lugares, pessoas... Tudo parece mágico aos olhos de quem planeja uma entrada de ano triunfante, como se o simples fato de acreditar, sim, eles nos fazem acreditar, que tudo será muito melhor no ano que se inicia bastasse para que as mudanças acontecessem. É como se tivéssemos uma segunda chance, só que multiplicada a cada ano. Aos que a essa altura do texto já desenvolveram a teoria de que eu vivo presa ao passado e por isso não gosto de me despedir, devo informar que enganam-se inteiramente. Não gosto de reviver o passado. Na verdade tenho pavor a essa ideia. E muito menos tenho medo do  novo, da mudança. Até gosto dessa adrenalina de se jogar no desconhecido, mas na noite do dia 31, precisamente nela, sempre sinto vontade de chorar. Não me pergunte se é tristeza ou alegria, dor ou alívio... Não sei responder a essas perguntas. Apenas sinto isso e, quando vai se aproximando da meia noite, horário em que provavelmente todas as pessoas do mundo estão vibrando positivamente para si mesmas, preparando-se para a entrada do ano, eu me preparo para não deixar que as lágrimas caiam. E fico tensa, e esqueço de desejar... Sempre perco o momento exato em que deveria estar mentalizando, assim como as outras pessoas, coisas boas para a minha vida. 

De qualquer forma, não é algo que dure a noite toda. Pelo contrário, costuma passar assim como terminam de brilhar as fagulhas dos fogos de artifício no céu. Passados os estouros, as luzes, os brindes, os abraços e os votos de um lindo ano novo, volto ao natural, sem choro, sem aperto, sem tensão... Mas só me sinto verdadeiramente renovada quando o dia primeiro amanhece. Geralmente é um dia de sol, ao menos dentro de mim, onde os planos estão fervilhando ardorosamente prontos para acontecer. Não espero nada mágico na minha vida. Melhor ainda, não espero nada na vida. Gosto de correr atrás, de refletir, de renovar, de mudar. De trocar de ares, de lugares, deixar que algumas pessoas saiam e que outras entrem. Num ciclo natural e revigorante, que me faz pensar que tudo pode realmente ser diferente.

Mais um ano se passou e minhas lembranças levam experiências agradáveis e desagradáveis, que me fizeram ser quem eu sou. No próximo ano, eu desejo que as pessoas prestem mais atenção umas nas outras, que se sintam verdadeiramente solícitas, delicadas, gentis e prestativas na medida de suas condições. E que também possas ser e estar mais tolerantes, educadas, dedicadas e realizadoras de suas vontades. Donas de suas próprias rédeas, para que as simpatias possam ganhar força. Por que não ajudar o cosmos? Acreditar somente, sem sair do lugar, sem se movimentar, ainda que dentro de nossas próprias cabeças, tem se mostrado em vão. Nesse caso, quando o próximo ano terminar, podemos ter a sensação de que o ano passou rápido demais ou de que não conseguimos nada do que queríamos. Por isso, desejo que possamos acreditar no que nos faz bem, sempre na intenção de que o nosso bem não prejudique o outro. Que nossas simpatias de final de ano, as profecias, os búzios, os planetas regentes, o sol, e tudo mais a que costumamos recorrer nesse final de ano possam estar a nosso favor e que em nossas cabeças e nossos corações estejam sempre presentes as atitudes necessárias para que possamos fazer acontecer o ano de 2013.

7 de agosto de 2012

Compromisso Social (?)

Pensar em sair de carro nos dias de hoje é ter que planejar os gastos além dos triviais: gasolina, manutenção, onde estacionar... É pensar em proteger seu bem, muitas vezes conquistado com o suor do trabalho e, portanto fruto de dinheiro honesto, que aos olhos de quem somente observa, parece uma dádiva que nos foi concedida por sorte ou qualquer força mística de merecimento. Pode ser atribuído também à sorte, às oportunidades, ou seja, a tudo, menos ao seu esforço cotidiano.

Antes de mais nada pagamos impostos para tudo, inclusive para respirar. No mínimo IPVA e IPTU deveriam nos garantir o direito de parar o automóvel nas ruas onde a sinalização permite, mas não é o caso. Na cidade onde moro, e certamente tem sido uma realidade compartilhada nas capitais deste país, não há mais espaço para os carros, nem para trafegar nem tão pouco para estacionar. Sendo esta uma triste constatação, nós motoristas, que precisamos trabalhar e também gostamos de passear, precisamos encontrar maneiras de usar os nossos carros, repeitando as leis e a utilização dos espaços públicos.

Para complementar, as ruas que não estão sob custódia da prefeitura, onde podemos novamente PAGAR para estacionar em via PÚBLICA, passaram a ser ocupadas por centenas de pessoas que se propõem a "cuidar" dos nossos veículos às vezes de forma educada e proativa, outras tantas sem o menor cuidado ou mesmo (e principalmente), usando de coação: "É cinco reais adiantado" ou melhor ainda: "É dez reais adiantado", e assim por diante, a depender da disponibilidade de vagas (procura e oferta) e do tipo de acontecimento que implica na quantidade de pessoas que irão fazer de tudo por um "cantinho".

E da forma como as coisas vêm acontecendo, muito mais do que o bem estar econômico e social de alguém que tenta tirar o seu sustento de forma honesta, me sinto como se estivesse sendo assaltada de uma forma elegante, às vezes sutil, sob pena de sofrer consequências, sabe-se lá de quais naturezas, caso se negue a pagar adiantado por um serviço que não pediu ou mesmo não precisa.

Do mesmo modo, percebo o valor cobrado pelos guardadores regularizados, que usam coletes, cartelas e eventualmente nos atendem de maneira gentil, também como um roubo, só que consentido, porém, não menos ofensivo. A diferença é que a ameaça não é em relação à integridade física da pessoa ou do veículo, mas legalizada, padronizada: "Se a SET pegar seu carro sem a cartela, leva multa e reboca". E diante desse argumento irrefutável e da certeza de que encontraremos o nosso bem no mesmo lugar, com certa segurança, pagamos e tratamos o fato com naturalidade, como um evento que não se discute. Seguimos adiante e para o dia seguinte, separamos o dinheiro "do estacionamento".

No ano passado fui assaltada numa ocasião dessas. A noite, entrando num bar na companhia de amigos, não pagamos os R$ 5,00 na chegada, pois achamos justo pagar na saída, quando constataríamos que o "flanelinha" estaria lá, e que havia "tomado conta" do carro. Então, quando retornamos 5 minutos depois, pois desistimos de ficar no local, fui atacada pelo próprio guardador de carros, que me tomou a bolsa, com uma das mãos no meu pescoço enquanto a outra tentava puxar a bolsa e me empurrava ao chão.

Este ano, mais um episódio curioso. O rapaz aproximou-se de mim, logo após que encontrei uma vaga SOZINHA e estacionei, sem a brilhante ajuda de ninguém. Ele somente acenou e não me cobrou nada antecipadamente. Naquele momento eu comentei com uma amiga que estava comigo que não tinha dinheiro em espécie para pagar ao rapaz, no que ela retrucou: "deixa, a gente não paga". Mas diante da experiência anterior sempre me sinto sobressaltada nessas situações, ou seja, quando não tenho o "trocado" para o guardador, me sinto antecipadamente ameaçada. Na volta, o rapaz, pediu R$ 5,00, se aproximou e estendeu uma das mãos próximo ao vidro do motorista, do meu lado, onde eu ignorei e ele, ao perceber que não receberia sua recompensa, esmurrou o retrovisor e deu um chute na porta traseira do carro.

Resumo da ópera: Por sermos considerados responsáveis pela pobreza, pela superpopulação e falta de controle na natalidade, pela existência de políticas públicas assistencialistas que só funcionam para controlar e alienar, com vistas às eleições e por sermos cobrados de sermos mais "humanos", terminamos por arcar com todas as consequências de nossas escolhas, pagando com nossos bens, com o risco de perdemos até mesmo nossas vidas, por eventos banais, cotidianos, pelos quais somos responsáveis.

Bom, pelo menos há tempo para pensarmos em quem devemos escolher para nos representar publicamente, para que efetivamente possamos nos sentir responsáveis pelo que enfrentamos no nosso dia a dia.






14 de outubro de 2011

De onde vem o amor?

Se tem uma palavra que consegue reunir as mais diversas expressões dos relacionamentos pessoais essa palavra, para mim, é AMOR. Costumo dizer em aula que o amor é social, é um sentimento construído nas relações. Tenho um certo prazer em desmitificar as idéias que costumamos trazer sobre um amor inato, independente das outras pessoas. Uma mania que temos, mas as manias costumam me incomodar. Assim como me incomodam tantas outras coisas que não cabem agora... Apesar de saber, e também concordar, que algo de inato nos motiva ao relacionamento com outras pessoas, melhor dizendo, facilita o reconhecimento dos nossos iguais para que possamos nos sentir protegidos desde muito pequenos, o amor não pode ser inato.

Mas, apesar do título do post sugerir algo do tipo, a ideia não é discutir a origem do amor. Não é o que me proponho aqui. Mas tentar levantar questões que nos levem a pensar sobre como deixamos esse sentimento tomar conta das nossas relações e as formas pelas quais ele pode se manifestar em nós ao longo de nossas vidas. Todo amor é digno de reconhecimento. Mas me parece que amor é mais fácil de sentir do que explicar... Só que como os seres humanos tem uma necessidade louca de explicar tudo, gostaria de compartilhar algumas ideias sobre esse assunto, ao menos para refletir...

Quando nascemos o primeiro amor que temos é o amor daqueles que cuidam de nós. Eles, com a nossa chegada, por já estarem num contexto social há mais tempo que nós, estão cheios de amor para oferecer através de seus carinhos, sorrisos, caretas e cuidados. Aí é que provavelmente começamos a sentir algo estranho, uma vontade danada de ter "aquela moça que me bota no colo" tão pertinho. E aprendemos a usar o choro para tê-la perto de nós... A lembrança do aconchego do seu colo, do calor do seu corpo, da gostosura do seu olhar, além da sensação de saciedade que o alimento proporciona, devem ser algo espetacular nos primeiros meses de vida. Ali provavelmente já podemos ver a primeira expressão do que futuramente chamaremos de Amor.

Quando criança parecemos transitar entre o amor e o ódio de forma rápida e descomprometida. Afinal, por muitos somos percebidas como imaturas, e cosequentemente, na visão dos adultos, pouco compreendemos acerca desses sentimentos. Amamos aqueles que nos cedem seus brinquedos ou seus caprichos, e mais adiante somos capazes de odiar o mesmo coleguinha. Se formos o filho mais velho e ninguém nos explicar sobre certas mudanças nas relações quando o irmãozinho chegar, o odiaremos a princípio, brigaremos certamente e em geral, com o passar do tempo, aprenderemos a importância que o amor por aquela pessoa com quem temos que dividir nossos pais tem em nossas vidas.

Até então sentimos amor por pessoas muito próximas a nós. Esse amor pode até ser confundido com "interesse" ou troca, e de fato, em alguma instância eu acredito que seja mesmo. Mas essa relação de afetividade profunda não sentimos por qualquer um. Sendo que nesse início do nosso desenvolvimento o vínculo mais forte é fortalecido por pais e pessoas muito íntimas, muito próximas, que costumam conviver com a gente. Na adolescência, assim como nossos interesses mudam, nossa capacidade de expandir os horizontes do amor também se modificam. Passamos a olhar o outro com um amor diferente. Alguns vivenciam a experiência do chamado "Amor platônico", enquanto outros tem a oportunidade de viver o "Amor romântico" e por aí vão se espalhando o amor e suas diversas classificações que, nesse momento, passam a estar voltada para um outro, tantas vezes desconhecido, que por alguma razão nos encanta profundamente e enlouquece nosso coração!

O amor adolescente não é provavelmente a forma mais madura de amar, mas traz consigo uma certa novidade, uma transição dessa maturidade, voltada para uma terceira pessoa que em alguns casos, nem sabe da nossa existência! É o amor ainda puro, inseguro, prematuro, avassalador... Então surge a pergunta: O que nos faz amar alguém? A meu ver, não se deve ter uma resposta única, pois essa indagação agrega uma diversidade de aspectos capazes de nos unir ao outro como: problemas com a auto estima ou uma percepção distorcida dos sentimentos, por exemplo. Mas considero esse um bom ponto para iniciarmos uma rica discussão. Começamos nesse período a sermos cobrados por nossos amigos e por nossos pais, a aprendermos a nos relacionar de forma mais madura e duradoura com outras pessoas, e veja, não disse que aprendemos isso agora, mas que passamos a ser cobrados a mostrar o nosso aprendizado sobre uma doutrina bem feita desde a nossa infância.O que dizer da pressão social, onde um envolvimento com alguém nos ensina a saber quem somos e do que gostamos? No íntimo certamente ajuda a mostrar aos outros aquilo que somos capazes de amar e porque não, o nosso enquadramento ou desenquadramento social. A afirmarmos certas expectativas colocadas em nós muito antes da nossa existência. Então muitas vezes estar com alguém pode ser sinônimo tanto de ausência de solidão quanto da demonstração de um amor profundo, quando muitas vezes, em ambos os casos, não o é...

O amor nos diz muito sobre aquilo que gostamos... O que me faz amar alguém pode ser muito diferente do que te faz amar alguém. Posso amar ou mesmo me apaixonar - porque a paixão nada mais é do que uma condutora de sentimentos através da qual o amor se cria - o seu cabelo, o seu sorriso, as suas roupas, seu jeito de ser e se comportar, posso amar o seu amor, sua dedicação ou seu carinho. Podemos amar infinitas coisas às vezes em uma pessoa só. E podemos amar muitas pessoas por conta de uma única característica. Talvez por isso sejamos capazes de amar de muitas maneiras e em muitas situações diferentes, e também sejamos capazes de desamar...

O que penso é que o amor pode ser procurado, encontrado e construído. Pode ser reconstruído quando abalado por alguma razão, mas pode também ser inventado, planejado e executado. Pode ser ainda repentino, variado e modificado. Talvez não tenhamos a capacidade de explicar a sensação do amor, aquilo que nos faz dizer que amamos, mas sem dúvidas sabemos como reconhecê-lo quando sentimos. Sabemos que amor é amor e pronto! Sabemos identificá-lo e então aceitá-lo ou rejeitá-lo (alguns de nós, ou em algum momento de nossas vidas incrivelmente fazemos isso). Essa coisa forte que é capaz de transformar o feio em bonito, o pobre em rico, o diferente em familiar. Podemos escolher a quem amar, mas não podemos escolher a hora do verdadeiro amor chegar.

De qualquer forma, não creio ser à toa que costumamos tratar o amor como um sentimento nobre. É nobre  porque é rico, é valoroso. Às vezes pensamos sentir amor até que um dia sentimos aquela sensação estranha e gostosa quando estamos com alguém ou simplesmente quando pensamos em alguém e dizemos: isso sim é que é amor! E se esse sentimento é nobre, deveríamos respeitar sua estirpe, posto que quando nos entregamos aos caprichos do amor nada  mais é além de lindo, puro e verdadeiro. E amar poderá ser ainda melhor quando formos capazes de compreender que existem diversas formas e intensidades de demonstrá-lo. Quando entendermos que amar foge a qualquer padrão pré-estabelecido. Um amor nunca será melhor ou maior do que o outro, mais sério, mais justo ou mais importante... Porque o amor, apesar de sentirmos em nós, tem vida própria e rege sua própria razão.

20 de julho de 2011

Quem são essas pessoas, os amigos?

"Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira..." (W. Shakespeare)

Amigos são para mim a forma de relacionamento mais franca e verdadeira que pode existir. Todos são capazes de ter amigos. Religiosos, traficantes, crianças, gordos, magros, doentes, atletas, antipáticos, grudentos, ciumentos, ateus... enfim. A amizade é uma forma de relacionamento disponível a todos que se interessem pelas relações humanas. 

Você pode me perguntar, e o amor de mãe? Não seria essa a relação mais verdadeira que podemos ter? Claro que o amor materno tem um lugar especial em nossas vidas, ou pelo menos na vida daqueles que tiveram e tem a oportunidade indescritível de ter a presença dessa figura essencial em nossas vidas. Mas não vejo os pais, especialmente as mães, como pessoas confidentes, como alguém que escolhemos por afinidades, respeitamos por afeto, como são nossos amigos...


Desde pequena tive a sorte de saber fazer bons amigos... Ou melhor, a sorte de saber reconhecer essas pessoas que compartilham dos mesmos princípios, valores e interesses que tenho e acredito. Princípios de lealdade, disponibilidade, companheirismo, respeito, afeto, definitivamente, amizade!


Os amigos são escolhidos, são preferidos, são insubstituíveis. Os verdadeiros amigos, e acho que incluir a palavra "verdadeiro" antes de amigo torna o conceito redundante, se doam sem precedentes, amam incondicionalmente, sabem sorrir e chorar ao seu lado.


Os meus amigos são aquilo de mais especial que eu pude conquistar e a cada dia me ensinam muito sobre relações humanas e tudo mais! Sem os meus amigos eu não seria essa mulher, não seria essa profissional, não seria essa filha, não seria essa companheira. Aprendo muito com eles a cada dia e não consigo imaginar a minha vida sem a presença de cada um deles. 


Amigos abrem mão de si, quando entendem a  nossa necessidade. Isso é o que de mais lindo pode existir em um relacionamento. Onde houver amizade, sempre haverá alguém a quem podemos recorrer e não desesperar nas horas mais difíceis, e também alguém com quem compartilhar nossas alegrias e conquistas...

Por isso e muito mais que não cabe em palavras. que essas pessoas são as mais especiais que podemos ter em nossas vidas! O meu coração sente-se muito feliz pela completude e segurança que os meus amigos me oferecem! Meus amigos, meus grandes amores, eternamente...

10 de julho de 2011

Intimidade


É engraçado como precisamos de certas confirmações para tentarmos conhecer quem somos nós. Esse é um questionamento interessante, que me inquieta e que para mim particularmente só surge quando me sinto insegura. Estou insegura. E se me perguntar o motivo, não saberei precisar. Estranho isso. Convivo comigo há anos, muitos anos, e eventualmente tenho dúvidas sobre quem sou e porque me comporto de determinada maneira nas mais diversas situações do dia a dia. Me considero uma pessoa observadora e mais do que isso, uma observadora de mim mesma. Observo com um olhar certamente enviesado. Penso muito, avalio, gosto das mudanças que posso implementar em mim. 

Hoje tive uma aula de astrologia com uma pessoa que surgiu na minha vida como que por encanto. Essa é uma daquelas histórias em que podemos dizer que o destino estava traçado. Por alguma razão, e mais uma vez não saberei precisar qual, ela apareceu na minha vida. Mas sobre a aula, esse é o foco no momento, afinal preciso falar de mim. Sinto que quanto mais falo, mais me aproximo do que posso representar para mim e para os outros. Nem sei. Acaba de me ocorrer a imagem clássica de um burro correndo atrás da cenoura pendurada à frente, mas presa à sua testa. Algo do tipo inalcançável.

A astrologia diz que a minha personalidade é virginiana, lá está o meu sol. Sempre ouvi dizer que esse signo não combina com ninguém ou com nada e custei a me livrar desse ranço que foi muito marcante especialmente durante a adolescência. Me sentia pequena diante de tanta coisa ruim que um signo poderia representar. Acreditei nisso por muito tempo, hoje uma pessoa quase cética. 

A minha lua em gêmeos representa uma pessoa comunicativa, que tem facilidade de adaptação. Alguém que possui intencionalidade naquilo que faz. Pode ser que seja eu. Gosto de desafios, mudanças e isso certamente tem a ver com adaptabilidade.

Estou aprendendo que os planetas regem os nossos comportamentos, a nossa vida, não sei ao certo, ainda estou aprendendo. Minha professora é paciente, gosta do tema, mas eu não tenho insistido muito nas aulas. Hoje fui aplicada. Perguntei algumas coisas e anotei detalhadamente as informações passadas. Tenho interesse, curiosidade, gosto de aprender. Não quero esquecer essas lições. As teóricas e também as práticas, aquelas de convivência mesmo. Essas últimas me tem sido especialmente valiosas. 

Mercúrio em virgem, e olha eu de novo, ligadona no trabalho – mas precisava de mapa pra me dizer isso? Acho que queria mesmo um mercúrio em outro lugar que me dissesse que trabalhar é um saco! Mas eu gosto... Soube também que eu penso bem e me comunico bem. Nas palavras da mestre que me orienta: “por isso você é uma boa professora”. Vênus representa o amor. Ah, o amor! O meu está em leão o que significa que gosto de coisas boas, conforto – não me chame pra acampar, eu detesto! Mas também me descobri ciumenta e possessiva, ainda que seja uma pessoa fiel e leal. Infelizmente temos uma tendência a nos prendermos às características ruins, mas vou tentar usá-las como recurso para as melhorias. 

Marte é o planeta que rege os impulsos a força, o meu é em câncer. Signo da família, sou alguém muito ligada a isso além de estar suscetível a críticas e poder ser uma boa líder. Não me vejo nesse lugar, mas quem sabe? Júpiter também é em câncer... haja... esse planeta representa a justiça, o saber, a expansividade e algo da espiritualidade. Me descobri uma pessoa carinhosa, afetiva em minha vida. Saturno impõe as restrições, deve ser uma espécie de SUPEREGO do espaço, e também indica as experiências e maturidade. Nesse sentido sou uma pessoa dona de mim, que possui alguns talentos, é criativa, tem muita energia e conhecimento de mim e do que está à minha volta. O meu está em leão. Urano em escorpião é algo que representa cura, ciúme (olha ele de novo!!!), prudência, alguém que experiencia fortes emoções e gosta de ação, de agir. Não gosto muito de ficar parada, meu EU é movimento. Engraçado, sempre pensei que um signo Terra como virgo fosse mais paradão... mas de fato não sou. Ah, tenho um pé na ciência, mas queria poder tirar o corpo fora (melhor não me estender... rs). Esse planeta lida com o inusitado, a liberdade e independência. Me sinto independente, mas não me sinto livre.

O planeta que comanda a nossa intuição, fantasia e ilusão é Netuno. O meu é regido por Sagitário, logo sou uma pessoa sonhadora e que acredito nas pessoas. Acredito mesmo. Sinto que às vezes poderia duvidar mais. Mas acredito, paciência. Pensei que tivesse aprendido isso com minha mãe, que acredita em todo mundo... Plutão é o último planeta da lista, e aproveitamos para fazer essa bela revisão de geografia. Acho que depois dessa não esqueço mais os nomes dos planetas! Difícil vai ser lembrar a ordem... Esse planetinha representa transformação e sexualidade. Libra é o signo que me acompanha nesse planeta. Portanto, sou uma pessoa equilibrada e justa. Bem, costumo perder o equilíbrio, mas tento ser justa. Durante a minha aula eu ouvi que sou “um pouco”. Mas eu juro que me dedico!

O meu ascendente parece ser o que tenho de melhor, mas eu não sei. Escorpião. Bicho danado. Me acrescenta um ar de mistério, me torna uma pessoa profunda (posso substituir por intensa?), passional, ligada ao sexo (ui!) e a transformação. Parece que sou alguém que guarda rancor também.

Descobri que existe mais uma coisa além dos planetas que se chama “Nodo Lunar”. O meu é representado por Libra e isso não parece ser algo bom. Apesar de tender a aceitar desafios, e de fato eu gosto, o desafio de ter essa parada associada à libra parece ser o mais difícil. E esse eu não escolhi.

Volto novamente à imagem da cenoura presa à testa... Isso me fez pensar muito sobre mim. Mas como gosto de pensar, não sei se falei sobre isso aí em cima, preciso refletir mais, discutir mais talvez. De todo modo é um assunto interessante, que me desafia e tem feito parte da minha rotina. Uma gostosa e nova rotina.