Para mim existe uma grande diferença entre o dia 31 de dezembro e o primeiro dia do novo ano. Não pelas mudanças que posso vir a implementar nos próximos 365 dias, mas porque nunca gostei de despedidas.
Pelas minhas lembranças nunca gostei da festa do réveillon, ao contrário da maioria das pessoas ao que parece. Por outro lado, o dia primeiro de janeiro sempre me traz uma sensação de renovação, de novos projetos em prática e de muitas surpresas... Novamente, não é pelo envolvimento da campanha que se faz em torno do novo que um ano vindouro pode trazer, mas por efetivamente conseguir associar essas experiências à minha vida e às novas oportunidades que aprendi a criar, ainda no final de cada ano velho. Bons projetos para o novo ano trazem sempre sensações agradáveis a mim. Sentir-se útil, renovada, amadurecida, competente. Isso é muito gostoso! Mas pensar em deixar para trás as lembranças do que vivemos não me deixa confortável. Eu acho que sei explicar, mas ainda não me sinto disposta a me abrir sobre isso. O fato é que não gosto de réveillon. Esse clima de festa, antecipações, preparações, roupas, cabelos, sapatos, lugares, pessoas... Tudo parece mágico aos olhos de quem planeja uma entrada de ano triunfante, como se o simples fato de acreditar, sim, eles nos fazem acreditar, que tudo será muito melhor no ano que se inicia bastasse para que as mudanças acontecessem. É como se tivéssemos uma segunda chance, só que multiplicada a cada ano. Aos que a essa altura do texto já desenvolveram a teoria de que eu vivo presa ao passado e por isso não gosto de me despedir, devo informar que enganam-se inteiramente. Não gosto de reviver o passado. Na verdade tenho pavor a essa ideia. E muito menos tenho medo do novo, da mudança. Até gosto dessa adrenalina de se jogar no desconhecido, mas na noite do dia 31, precisamente nela, sempre sinto vontade de chorar. Não me pergunte se é tristeza ou alegria, dor ou alívio... Não sei responder a essas perguntas. Apenas sinto isso e, quando vai se aproximando da meia noite, horário em que provavelmente todas as pessoas do mundo estão vibrando positivamente para si mesmas, preparando-se para a entrada do ano, eu me preparo para não deixar que as lágrimas caiam. E fico tensa, e esqueço de desejar... Sempre perco o momento exato em que deveria estar mentalizando, assim como as outras pessoas, coisas boas para a minha vida.
De qualquer forma, não é algo que dure a noite toda. Pelo contrário, costuma passar assim como terminam de brilhar as fagulhas dos fogos de artifício no céu. Passados os estouros, as luzes, os brindes, os abraços e os votos de um lindo ano novo, volto ao natural, sem choro, sem aperto, sem tensão... Mas só me sinto verdadeiramente renovada quando o dia primeiro amanhece. Geralmente é um dia de sol, ao menos dentro de mim, onde os planos estão fervilhando ardorosamente prontos para acontecer. Não espero nada mágico na minha vida. Melhor ainda, não espero nada na vida. Gosto de correr atrás, de refletir, de renovar, de mudar. De trocar de ares, de lugares, deixar que algumas pessoas saiam e que outras entrem. Num ciclo natural e revigorante, que me faz pensar que tudo pode realmente ser diferente.
Mais um ano se passou e minhas lembranças levam experiências agradáveis e desagradáveis, que me fizeram ser quem eu sou. No próximo ano, eu desejo que as pessoas prestem mais atenção umas nas outras, que se sintam verdadeiramente solícitas, delicadas, gentis e prestativas na medida de suas condições. E que também possas ser e estar mais tolerantes, educadas, dedicadas e realizadoras de suas vontades. Donas de suas próprias rédeas, para que as simpatias possam ganhar força. Por que não ajudar o cosmos? Acreditar somente, sem sair do lugar, sem se movimentar, ainda que dentro de nossas próprias cabeças, tem se mostrado em vão. Nesse caso, quando o próximo ano terminar, podemos ter a sensação de que o ano passou rápido demais ou de que não conseguimos nada do que queríamos. Por isso, desejo que possamos acreditar no que nos faz bem, sempre na intenção de que o nosso bem não prejudique o outro. Que nossas simpatias de final de ano, as profecias, os búzios, os planetas regentes, o sol, e tudo mais a que costumamos recorrer nesse final de ano possam estar a nosso favor e que em nossas cabeças e nossos corações estejam sempre presentes as atitudes necessárias para que possamos fazer acontecer o ano de 2013.
30 de dezembro de 2012
7 de agosto de 2012
Compromisso Social (?)
Pensar em sair de carro nos dias de hoje é ter que planejar os gastos além dos triviais: gasolina, manutenção, onde estacionar... É pensar em proteger seu bem, muitas vezes conquistado com o suor do trabalho e, portanto fruto de dinheiro honesto, que aos olhos de quem somente observa, parece uma dádiva que nos foi concedida por sorte ou qualquer força mística de merecimento. Pode ser atribuído também à sorte, às oportunidades, ou seja, a tudo, menos ao seu esforço cotidiano.
Antes de mais nada pagamos impostos para tudo, inclusive para respirar. No mínimo IPVA e IPTU deveriam nos garantir o direito de parar o automóvel nas ruas onde a sinalização permite, mas não é o caso. Na cidade onde moro, e certamente tem sido uma realidade compartilhada nas capitais deste país, não há mais espaço para os carros, nem para trafegar nem tão pouco para estacionar. Sendo esta uma triste constatação, nós motoristas, que precisamos trabalhar e também gostamos de passear, precisamos encontrar maneiras de usar os nossos carros, repeitando as leis e a utilização dos espaços públicos.
Para complementar, as ruas que não estão sob custódia da prefeitura, onde podemos novamente PAGAR para estacionar em via PÚBLICA, passaram a ser ocupadas por centenas de pessoas que se propõem a "cuidar" dos nossos veículos às vezes de forma educada e proativa, outras tantas sem o menor cuidado ou mesmo (e principalmente), usando de coação: "É cinco reais adiantado" ou melhor ainda: "É dez reais adiantado", e assim por diante, a depender da disponibilidade de vagas (procura e oferta) e do tipo de acontecimento que implica na quantidade de pessoas que irão fazer de tudo por um "cantinho".
E da forma como as coisas vêm acontecendo, muito mais do que o bem estar econômico e social de alguém que tenta tirar o seu sustento de forma honesta, me sinto como se estivesse sendo assaltada de uma forma elegante, às vezes sutil, sob pena de sofrer consequências, sabe-se lá de quais naturezas, caso se negue a pagar adiantado por um serviço que não pediu ou mesmo não precisa.
Do mesmo modo, percebo o valor cobrado pelos guardadores regularizados, que usam coletes, cartelas e eventualmente nos atendem de maneira gentil, também como um roubo, só que consentido, porém, não menos ofensivo. A diferença é que a ameaça não é em relação à integridade física da pessoa ou do veículo, mas legalizada, padronizada: "Se a SET pegar seu carro sem a cartela, leva multa e reboca". E diante desse argumento irrefutável e da certeza de que encontraremos o nosso bem no mesmo lugar, com certa segurança, pagamos e tratamos o fato com naturalidade, como um evento que não se discute. Seguimos adiante e para o dia seguinte, separamos o dinheiro "do estacionamento".
No ano passado fui assaltada numa ocasião dessas. A noite, entrando num bar na companhia de amigos, não pagamos os R$ 5,00 na chegada, pois achamos justo pagar na saída, quando constataríamos que o "flanelinha" estaria lá, e que havia "tomado conta" do carro. Então, quando retornamos 5 minutos depois, pois desistimos de ficar no local, fui atacada pelo próprio guardador de carros, que me tomou a bolsa, com uma das mãos no meu pescoço enquanto a outra tentava puxar a bolsa e me empurrava ao chão.
Este ano, mais um episódio curioso. O rapaz aproximou-se de mim, logo após que encontrei uma vaga SOZINHA e estacionei, sem a brilhante ajuda de ninguém. Ele somente acenou e não me cobrou nada antecipadamente. Naquele momento eu comentei com uma amiga que estava comigo que não tinha dinheiro em espécie para pagar ao rapaz, no que ela retrucou: "deixa, a gente não paga". Mas diante da experiência anterior sempre me sinto sobressaltada nessas situações, ou seja, quando não tenho o "trocado" para o guardador, me sinto antecipadamente ameaçada. Na volta, o rapaz, pediu R$ 5,00, se aproximou e estendeu uma das mãos próximo ao vidro do motorista, do meu lado, onde eu ignorei e ele, ao perceber que não receberia sua recompensa, esmurrou o retrovisor e deu um chute na porta traseira do carro.
Resumo da ópera: Por sermos considerados responsáveis pela pobreza, pela superpopulação e falta de controle na natalidade, pela existência de políticas públicas assistencialistas que só funcionam para controlar e alienar, com vistas às eleições e por sermos cobrados de sermos mais "humanos", terminamos por arcar com todas as consequências de nossas escolhas, pagando com nossos bens, com o risco de perdemos até mesmo nossas vidas, por eventos banais, cotidianos, pelos quais somos responsáveis.
Bom, pelo menos há tempo para pensarmos em quem devemos escolher para nos representar publicamente, para que efetivamente possamos nos sentir responsáveis pelo que enfrentamos no nosso dia a dia.
Para complementar, as ruas que não estão sob custódia da prefeitura, onde podemos novamente PAGAR para estacionar em via PÚBLICA, passaram a ser ocupadas por centenas de pessoas que se propõem a "cuidar" dos nossos veículos às vezes de forma educada e proativa, outras tantas sem o menor cuidado ou mesmo (e principalmente), usando de coação: "É cinco reais adiantado" ou melhor ainda: "É dez reais adiantado", e assim por diante, a depender da disponibilidade de vagas (procura e oferta) e do tipo de acontecimento que implica na quantidade de pessoas que irão fazer de tudo por um "cantinho".
E da forma como as coisas vêm acontecendo, muito mais do que o bem estar econômico e social de alguém que tenta tirar o seu sustento de forma honesta, me sinto como se estivesse sendo assaltada de uma forma elegante, às vezes sutil, sob pena de sofrer consequências, sabe-se lá de quais naturezas, caso se negue a pagar adiantado por um serviço que não pediu ou mesmo não precisa.
Do mesmo modo, percebo o valor cobrado pelos guardadores regularizados, que usam coletes, cartelas e eventualmente nos atendem de maneira gentil, também como um roubo, só que consentido, porém, não menos ofensivo. A diferença é que a ameaça não é em relação à integridade física da pessoa ou do veículo, mas legalizada, padronizada: "Se a SET pegar seu carro sem a cartela, leva multa e reboca". E diante desse argumento irrefutável e da certeza de que encontraremos o nosso bem no mesmo lugar, com certa segurança, pagamos e tratamos o fato com naturalidade, como um evento que não se discute. Seguimos adiante e para o dia seguinte, separamos o dinheiro "do estacionamento".
No ano passado fui assaltada numa ocasião dessas. A noite, entrando num bar na companhia de amigos, não pagamos os R$ 5,00 na chegada, pois achamos justo pagar na saída, quando constataríamos que o "flanelinha" estaria lá, e que havia "tomado conta" do carro. Então, quando retornamos 5 minutos depois, pois desistimos de ficar no local, fui atacada pelo próprio guardador de carros, que me tomou a bolsa, com uma das mãos no meu pescoço enquanto a outra tentava puxar a bolsa e me empurrava ao chão.
Este ano, mais um episódio curioso. O rapaz aproximou-se de mim, logo após que encontrei uma vaga SOZINHA e estacionei, sem a brilhante ajuda de ninguém. Ele somente acenou e não me cobrou nada antecipadamente. Naquele momento eu comentei com uma amiga que estava comigo que não tinha dinheiro em espécie para pagar ao rapaz, no que ela retrucou: "deixa, a gente não paga". Mas diante da experiência anterior sempre me sinto sobressaltada nessas situações, ou seja, quando não tenho o "trocado" para o guardador, me sinto antecipadamente ameaçada. Na volta, o rapaz, pediu R$ 5,00, se aproximou e estendeu uma das mãos próximo ao vidro do motorista, do meu lado, onde eu ignorei e ele, ao perceber que não receberia sua recompensa, esmurrou o retrovisor e deu um chute na porta traseira do carro.
Resumo da ópera: Por sermos considerados responsáveis pela pobreza, pela superpopulação e falta de controle na natalidade, pela existência de políticas públicas assistencialistas que só funcionam para controlar e alienar, com vistas às eleições e por sermos cobrados de sermos mais "humanos", terminamos por arcar com todas as consequências de nossas escolhas, pagando com nossos bens, com o risco de perdemos até mesmo nossas vidas, por eventos banais, cotidianos, pelos quais somos responsáveis.
Bom, pelo menos há tempo para pensarmos em quem devemos escolher para nos representar publicamente, para que efetivamente possamos nos sentir responsáveis pelo que enfrentamos no nosso dia a dia.
14 de outubro de 2011
De onde vem o amor?
Se tem uma palavra que consegue reunir as mais diversas expressões dos relacionamentos pessoais essa palavra, para mim, é AMOR. Costumo dizer em aula que o amor é social, é um sentimento construído nas relações. Tenho um certo prazer em desmitificar as idéias que costumamos trazer sobre um amor inato, independente das outras pessoas. Uma mania que temos, mas as manias costumam me incomodar. Assim como me incomodam tantas outras coisas que não cabem agora... Apesar de saber, e também concordar, que algo de inato nos motiva ao relacionamento com outras pessoas, melhor dizendo, facilita o reconhecimento dos nossos iguais para que possamos nos sentir protegidos desde muito pequenos, o amor não pode ser inato.
Mas, apesar do título do post sugerir algo do tipo, a ideia não é discutir a origem do amor. Não é o que me proponho aqui. Mas tentar levantar questões que nos levem a pensar sobre como deixamos esse sentimento tomar conta das nossas relações e as formas pelas quais ele pode se manifestar em nós ao longo de nossas vidas. Todo amor é digno de reconhecimento. Mas me parece que amor é mais fácil de sentir do que explicar... Só que como os seres humanos tem uma necessidade louca de explicar tudo, gostaria de compartilhar algumas ideias sobre esse assunto, ao menos para refletir...
Quando nascemos o primeiro amor que temos é o amor daqueles que cuidam de nós. Eles, com a nossa chegada, por já estarem num contexto social há mais tempo que nós, estão cheios de amor para oferecer através de seus carinhos, sorrisos, caretas e cuidados. Aí é que provavelmente começamos a sentir algo estranho, uma vontade danada de ter "aquela moça que me bota no colo" tão pertinho. E aprendemos a usar o choro para tê-la perto de nós... A lembrança do aconchego do seu colo, do calor do seu corpo, da gostosura do seu olhar, além da sensação de saciedade que o alimento proporciona, devem ser algo espetacular nos primeiros meses de vida. Ali provavelmente já podemos ver a primeira expressão do que futuramente chamaremos de Amor.
Quando criança parecemos transitar entre o amor e o ódio de forma rápida e descomprometida. Afinal, por muitos somos percebidas como imaturas, e cosequentemente, na visão dos adultos, pouco compreendemos acerca desses sentimentos. Amamos aqueles que nos cedem seus brinquedos ou seus caprichos, e mais adiante somos capazes de odiar o mesmo coleguinha. Se formos o filho mais velho e ninguém nos explicar sobre certas mudanças nas relações quando o irmãozinho chegar, o odiaremos a princípio, brigaremos certamente e em geral, com o passar do tempo, aprenderemos a importância que o amor por aquela pessoa com quem temos que dividir nossos pais tem em nossas vidas.
Até então sentimos amor por pessoas muito próximas a nós. Esse amor pode até ser confundido com "interesse" ou troca, e de fato, em alguma instância eu acredito que seja mesmo. Mas essa relação de afetividade profunda não sentimos por qualquer um. Sendo que nesse início do nosso desenvolvimento o vínculo mais forte é fortalecido por pais e pessoas muito íntimas, muito próximas, que costumam conviver com a gente. Na adolescência, assim como nossos interesses mudam, nossa capacidade de expandir os horizontes do amor também se modificam. Passamos a olhar o outro com um amor diferente. Alguns vivenciam a experiência do chamado "Amor platônico", enquanto outros tem a oportunidade de viver o "Amor romântico" e por aí vão se espalhando o amor e suas diversas classificações que, nesse momento, passam a estar voltada para um outro, tantas vezes desconhecido, que por alguma razão nos encanta profundamente e enlouquece nosso coração!
O amor adolescente não é provavelmente a forma mais madura de amar, mas traz consigo uma certa novidade, uma transição dessa maturidade, voltada para uma terceira pessoa que em alguns casos, nem sabe da nossa existência! É o amor ainda puro, inseguro, prematuro, avassalador... Então surge a pergunta: O que nos faz amar alguém? A meu ver, não se deve ter uma resposta única, pois essa indagação agrega uma diversidade de aspectos capazes de nos unir ao outro como: problemas com a auto estima ou uma percepção distorcida dos sentimentos, por exemplo. Mas considero esse um bom ponto para iniciarmos uma rica discussão. Começamos nesse período a sermos cobrados por nossos amigos e por nossos pais, a aprendermos a nos relacionar de forma mais madura e duradoura com outras pessoas, e veja, não disse que aprendemos isso agora, mas que passamos a ser cobrados a mostrar o nosso aprendizado sobre uma doutrina bem feita desde a nossa infância.O que dizer da pressão social, onde um envolvimento com alguém nos ensina a saber quem somos e do que gostamos? No íntimo certamente ajuda a mostrar aos outros aquilo que somos capazes de amar e porque não, o nosso enquadramento ou desenquadramento social. A afirmarmos certas expectativas colocadas em nós muito antes da nossa existência. Então muitas vezes estar com alguém pode ser sinônimo tanto de ausência de solidão quanto da demonstração de um amor profundo, quando muitas vezes, em ambos os casos, não o é...
O amor nos diz muito sobre aquilo que gostamos... O que me faz amar alguém pode ser muito diferente do que te faz amar alguém. Posso amar ou mesmo me apaixonar - porque a paixão nada mais é do que uma condutora de sentimentos através da qual o amor se cria - o seu cabelo, o seu sorriso, as suas roupas, seu jeito de ser e se comportar, posso amar o seu amor, sua dedicação ou seu carinho. Podemos amar infinitas coisas às vezes em uma pessoa só. E podemos amar muitas pessoas por conta de uma única característica. Talvez por isso sejamos capazes de amar de muitas maneiras e em muitas situações diferentes, e também sejamos capazes de desamar...
O que penso é que o amor pode ser procurado, encontrado e construído. Pode ser reconstruído quando abalado por alguma razão, mas pode também ser inventado, planejado e executado. Pode ser ainda repentino, variado e modificado. Talvez não tenhamos a capacidade de explicar a sensação do amor, aquilo que nos faz dizer que amamos, mas sem dúvidas sabemos como reconhecê-lo quando sentimos. Sabemos que amor é amor e pronto! Sabemos identificá-lo e então aceitá-lo ou rejeitá-lo (alguns de nós, ou em algum momento de nossas vidas incrivelmente fazemos isso). Essa coisa forte que é capaz de transformar o feio em bonito, o pobre em rico, o diferente em familiar. Podemos escolher a quem amar, mas não podemos escolher a hora do verdadeiro amor chegar.
De qualquer forma, não creio ser à toa que costumamos tratar o amor como um sentimento nobre. É nobre porque é rico, é valoroso. Às vezes pensamos sentir amor até que um dia sentimos aquela sensação estranha e gostosa quando estamos com alguém ou simplesmente quando pensamos em alguém e dizemos: isso sim é que é amor! E se esse sentimento é nobre, deveríamos respeitar sua estirpe, posto que quando nos entregamos aos caprichos do amor nada mais é além de lindo, puro e verdadeiro. E amar poderá ser ainda melhor quando formos capazes de compreender que existem diversas formas e intensidades de demonstrá-lo. Quando entendermos que amar foge a qualquer padrão pré-estabelecido. Um amor nunca será melhor ou maior do que o outro, mais sério, mais justo ou mais importante... Porque o amor, apesar de sentirmos em nós, tem vida própria e rege sua própria razão.
Mas, apesar do título do post sugerir algo do tipo, a ideia não é discutir a origem do amor. Não é o que me proponho aqui. Mas tentar levantar questões que nos levem a pensar sobre como deixamos esse sentimento tomar conta das nossas relações e as formas pelas quais ele pode se manifestar em nós ao longo de nossas vidas. Todo amor é digno de reconhecimento. Mas me parece que amor é mais fácil de sentir do que explicar... Só que como os seres humanos tem uma necessidade louca de explicar tudo, gostaria de compartilhar algumas ideias sobre esse assunto, ao menos para refletir...
Quando nascemos o primeiro amor que temos é o amor daqueles que cuidam de nós. Eles, com a nossa chegada, por já estarem num contexto social há mais tempo que nós, estão cheios de amor para oferecer através de seus carinhos, sorrisos, caretas e cuidados. Aí é que provavelmente começamos a sentir algo estranho, uma vontade danada de ter "aquela moça que me bota no colo" tão pertinho. E aprendemos a usar o choro para tê-la perto de nós... A lembrança do aconchego do seu colo, do calor do seu corpo, da gostosura do seu olhar, além da sensação de saciedade que o alimento proporciona, devem ser algo espetacular nos primeiros meses de vida. Ali provavelmente já podemos ver a primeira expressão do que futuramente chamaremos de Amor.
Quando criança parecemos transitar entre o amor e o ódio de forma rápida e descomprometida. Afinal, por muitos somos percebidas como imaturas, e cosequentemente, na visão dos adultos, pouco compreendemos acerca desses sentimentos. Amamos aqueles que nos cedem seus brinquedos ou seus caprichos, e mais adiante somos capazes de odiar o mesmo coleguinha. Se formos o filho mais velho e ninguém nos explicar sobre certas mudanças nas relações quando o irmãozinho chegar, o odiaremos a princípio, brigaremos certamente e em geral, com o passar do tempo, aprenderemos a importância que o amor por aquela pessoa com quem temos que dividir nossos pais tem em nossas vidas.
Até então sentimos amor por pessoas muito próximas a nós. Esse amor pode até ser confundido com "interesse" ou troca, e de fato, em alguma instância eu acredito que seja mesmo. Mas essa relação de afetividade profunda não sentimos por qualquer um. Sendo que nesse início do nosso desenvolvimento o vínculo mais forte é fortalecido por pais e pessoas muito íntimas, muito próximas, que costumam conviver com a gente. Na adolescência, assim como nossos interesses mudam, nossa capacidade de expandir os horizontes do amor também se modificam. Passamos a olhar o outro com um amor diferente. Alguns vivenciam a experiência do chamado "Amor platônico", enquanto outros tem a oportunidade de viver o "Amor romântico" e por aí vão se espalhando o amor e suas diversas classificações que, nesse momento, passam a estar voltada para um outro, tantas vezes desconhecido, que por alguma razão nos encanta profundamente e enlouquece nosso coração!
O amor adolescente não é provavelmente a forma mais madura de amar, mas traz consigo uma certa novidade, uma transição dessa maturidade, voltada para uma terceira pessoa que em alguns casos, nem sabe da nossa existência! É o amor ainda puro, inseguro, prematuro, avassalador... Então surge a pergunta: O que nos faz amar alguém? A meu ver, não se deve ter uma resposta única, pois essa indagação agrega uma diversidade de aspectos capazes de nos unir ao outro como: problemas com a auto estima ou uma percepção distorcida dos sentimentos, por exemplo. Mas considero esse um bom ponto para iniciarmos uma rica discussão. Começamos nesse período a sermos cobrados por nossos amigos e por nossos pais, a aprendermos a nos relacionar de forma mais madura e duradoura com outras pessoas, e veja, não disse que aprendemos isso agora, mas que passamos a ser cobrados a mostrar o nosso aprendizado sobre uma doutrina bem feita desde a nossa infância.O que dizer da pressão social, onde um envolvimento com alguém nos ensina a saber quem somos e do que gostamos? No íntimo certamente ajuda a mostrar aos outros aquilo que somos capazes de amar e porque não, o nosso enquadramento ou desenquadramento social. A afirmarmos certas expectativas colocadas em nós muito antes da nossa existência. Então muitas vezes estar com alguém pode ser sinônimo tanto de ausência de solidão quanto da demonstração de um amor profundo, quando muitas vezes, em ambos os casos, não o é...
O amor nos diz muito sobre aquilo que gostamos... O que me faz amar alguém pode ser muito diferente do que te faz amar alguém. Posso amar ou mesmo me apaixonar - porque a paixão nada mais é do que uma condutora de sentimentos através da qual o amor se cria - o seu cabelo, o seu sorriso, as suas roupas, seu jeito de ser e se comportar, posso amar o seu amor, sua dedicação ou seu carinho. Podemos amar infinitas coisas às vezes em uma pessoa só. E podemos amar muitas pessoas por conta de uma única característica. Talvez por isso sejamos capazes de amar de muitas maneiras e em muitas situações diferentes, e também sejamos capazes de desamar...
O que penso é que o amor pode ser procurado, encontrado e construído. Pode ser reconstruído quando abalado por alguma razão, mas pode também ser inventado, planejado e executado. Pode ser ainda repentino, variado e modificado. Talvez não tenhamos a capacidade de explicar a sensação do amor, aquilo que nos faz dizer que amamos, mas sem dúvidas sabemos como reconhecê-lo quando sentimos. Sabemos que amor é amor e pronto! Sabemos identificá-lo e então aceitá-lo ou rejeitá-lo (alguns de nós, ou em algum momento de nossas vidas incrivelmente fazemos isso). Essa coisa forte que é capaz de transformar o feio em bonito, o pobre em rico, o diferente em familiar. Podemos escolher a quem amar, mas não podemos escolher a hora do verdadeiro amor chegar.
De qualquer forma, não creio ser à toa que costumamos tratar o amor como um sentimento nobre. É nobre porque é rico, é valoroso. Às vezes pensamos sentir amor até que um dia sentimos aquela sensação estranha e gostosa quando estamos com alguém ou simplesmente quando pensamos em alguém e dizemos: isso sim é que é amor! E se esse sentimento é nobre, deveríamos respeitar sua estirpe, posto que quando nos entregamos aos caprichos do amor nada mais é além de lindo, puro e verdadeiro. E amar poderá ser ainda melhor quando formos capazes de compreender que existem diversas formas e intensidades de demonstrá-lo. Quando entendermos que amar foge a qualquer padrão pré-estabelecido. Um amor nunca será melhor ou maior do que o outro, mais sério, mais justo ou mais importante... Porque o amor, apesar de sentirmos em nós, tem vida própria e rege sua própria razão.
20 de julho de 2011
Quem são essas pessoas, os amigos?
"Perguntei a um sábio ,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira..." (W. Shakespeare)
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas ,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira..." (W. Shakespeare)
Amigos são para mim a forma de relacionamento mais franca e verdadeira que pode existir. Todos são capazes de ter amigos. Religiosos, traficantes, crianças, gordos, magros, doentes, atletas, antipáticos, grudentos, ciumentos, ateus... enfim. A amizade é uma forma de relacionamento disponível a todos que se interessem pelas relações humanas.
Você pode me perguntar, e o amor de mãe? Não seria essa a relação mais verdadeira que podemos ter? Claro que o amor materno tem um lugar especial em nossas vidas, ou pelo menos na vida daqueles que tiveram e tem a oportunidade indescritível de ter a presença dessa figura essencial em nossas vidas. Mas não vejo os pais, especialmente as mães, como pessoas confidentes, como alguém que escolhemos por afinidades, respeitamos por afeto, como são nossos amigos...
Desde pequena tive a sorte de saber fazer bons amigos... Ou melhor, a sorte de saber reconhecer essas pessoas que compartilham dos mesmos princípios, valores e interesses que tenho e acredito. Princípios de lealdade, disponibilidade, companheirismo, respeito, afeto, definitivamente, amizade!
Os amigos são escolhidos, são preferidos, são insubstituíveis. Os verdadeiros amigos, e acho que incluir a palavra "verdadeiro" antes de amigo torna o conceito redundante, se doam sem precedentes, amam incondicionalmente, sabem sorrir e chorar ao seu lado.
Os meus amigos são aquilo de mais especial que eu pude conquistar e a cada dia me ensinam muito sobre relações humanas e tudo mais! Sem os meus amigos eu não seria essa mulher, não seria essa profissional, não seria essa filha, não seria essa companheira. Aprendo muito com eles a cada dia e não consigo imaginar a minha vida sem a presença de cada um deles.
Amigos abrem mão de si, quando entendem a nossa necessidade. Isso é o que de mais lindo pode existir em um relacionamento. Onde houver amizade, sempre haverá alguém a quem podemos recorrer e não desesperar nas horas mais difíceis, e também alguém com quem compartilhar nossas alegrias e conquistas...
Por isso e muito mais que não cabe em palavras. que essas pessoas são as mais especiais que podemos ter em nossas vidas! O meu coração sente-se muito feliz pela completude e segurança que os meus amigos me oferecem! Meus amigos, meus grandes amores, eternamente...
Desde pequena tive a sorte de saber fazer bons amigos... Ou melhor, a sorte de saber reconhecer essas pessoas que compartilham dos mesmos princípios, valores e interesses que tenho e acredito. Princípios de lealdade, disponibilidade, companheirismo, respeito, afeto, definitivamente, amizade!
Os amigos são escolhidos, são preferidos, são insubstituíveis. Os verdadeiros amigos, e acho que incluir a palavra "verdadeiro" antes de amigo torna o conceito redundante, se doam sem precedentes, amam incondicionalmente, sabem sorrir e chorar ao seu lado.
Os meus amigos são aquilo de mais especial que eu pude conquistar e a cada dia me ensinam muito sobre relações humanas e tudo mais! Sem os meus amigos eu não seria essa mulher, não seria essa profissional, não seria essa filha, não seria essa companheira. Aprendo muito com eles a cada dia e não consigo imaginar a minha vida sem a presença de cada um deles.
Amigos abrem mão de si, quando entendem a nossa necessidade. Isso é o que de mais lindo pode existir em um relacionamento. Onde houver amizade, sempre haverá alguém a quem podemos recorrer e não desesperar nas horas mais difíceis, e também alguém com quem compartilhar nossas alegrias e conquistas...
Por isso e muito mais que não cabe em palavras. que essas pessoas são as mais especiais que podemos ter em nossas vidas! O meu coração sente-se muito feliz pela completude e segurança que os meus amigos me oferecem! Meus amigos, meus grandes amores, eternamente...
10 de julho de 2011
Intimidade
É engraçado como precisamos de certas confirmações para tentarmos conhecer quem somos nós. Esse é um questionamento interessante, que me inquieta e que para mim particularmente só surge quando me sinto insegura. Estou insegura. E se me perguntar o motivo, não saberei precisar. Estranho isso. Convivo comigo há anos, muitos anos, e eventualmente tenho dúvidas sobre quem sou e porque me comporto de determinada maneira nas mais diversas situações do dia a dia. Me considero uma pessoa observadora e mais do que isso, uma observadora de mim mesma. Observo com um olhar certamente enviesado. Penso muito, avalio, gosto das mudanças que posso implementar em mim.
Hoje tive uma aula de astrologia com uma pessoa que surgiu na minha vida como que por encanto. Essa é uma daquelas histórias em que podemos dizer que o destino estava traçado. Por alguma razão, e mais uma vez não saberei precisar qual, ela apareceu na minha vida. Mas sobre a aula, esse é o foco no momento, afinal preciso falar de mim. Sinto que quanto mais falo, mais me aproximo do que posso representar para mim e para os outros. Nem sei. Acaba de me ocorrer a imagem clássica de um burro correndo atrás da cenoura pendurada à frente, mas presa à sua testa. Algo do tipo inalcançável.
A astrologia diz que a minha personalidade é virginiana, lá está o meu sol. Sempre ouvi dizer que esse signo não combina com ninguém ou com nada e custei a me livrar desse ranço que foi muito marcante especialmente durante a adolescência. Me sentia pequena diante de tanta coisa ruim que um signo poderia representar. Acreditei nisso por muito tempo, hoje uma pessoa quase cética.
A minha lua em gêmeos representa uma pessoa comunicativa, que tem facilidade de adaptação. Alguém que possui intencionalidade naquilo que faz. Pode ser que seja eu. Gosto de desafios, mudanças e isso certamente tem a ver com adaptabilidade.
Estou aprendendo que os planetas regem os nossos comportamentos, a nossa vida, não sei ao certo, ainda estou aprendendo. Minha professora é paciente, gosta do tema, mas eu não tenho insistido muito nas aulas. Hoje fui aplicada. Perguntei algumas coisas e anotei detalhadamente as informações passadas. Tenho interesse, curiosidade, gosto de aprender. Não quero esquecer essas lições. As teóricas e também as práticas, aquelas de convivência mesmo. Essas últimas me tem sido especialmente valiosas.
Mercúrio em virgem, e olha eu de novo, ligadona no trabalho – mas precisava de mapa pra me dizer isso? Acho que queria mesmo um mercúrio em outro lugar que me dissesse que trabalhar é um saco! Mas eu gosto... Soube também que eu penso bem e me comunico bem. Nas palavras da mestre que me orienta: “por isso você é uma boa professora”. Vênus representa o amor. Ah, o amor! O meu está em leão o que significa que gosto de coisas boas, conforto – não me chame pra acampar, eu detesto! Mas também me descobri ciumenta e possessiva, ainda que seja uma pessoa fiel e leal. Infelizmente temos uma tendência a nos prendermos às características ruins, mas vou tentar usá-las como recurso para as melhorias.
Marte é o planeta que rege os impulsos a força, o meu é em câncer. Signo da família, sou alguém muito ligada a isso além de estar suscetível a críticas e poder ser uma boa líder. Não me vejo nesse lugar, mas quem sabe? Júpiter também é em câncer... haja... esse planeta representa a justiça, o saber, a expansividade e algo da espiritualidade. Me descobri uma pessoa carinhosa, afetiva em minha vida. Saturno impõe as restrições, deve ser uma espécie de SUPEREGO do espaço, e também indica as experiências e maturidade. Nesse sentido sou uma pessoa dona de mim, que possui alguns talentos, é criativa, tem muita energia e conhecimento de mim e do que está à minha volta. O meu está em leão. Urano em escorpião é algo que representa cura, ciúme (olha ele de novo!!!), prudência, alguém que experiencia fortes emoções e gosta de ação, de agir. Não gosto muito de ficar parada, meu EU é movimento. Engraçado, sempre pensei que um signo Terra como virgo fosse mais paradão... mas de fato não sou. Ah, tenho um pé na ciência, mas queria poder tirar o corpo fora (melhor não me estender... rs). Esse planeta lida com o inusitado, a liberdade e independência. Me sinto independente, mas não me sinto livre.
O planeta que comanda a nossa intuição, fantasia e ilusão é Netuno. O meu é regido por Sagitário, logo sou uma pessoa sonhadora e que acredito nas pessoas. Acredito mesmo. Sinto que às vezes poderia duvidar mais. Mas acredito, paciência. Pensei que tivesse aprendido isso com minha mãe, que acredita em todo mundo... Plutão é o último planeta da lista, e aproveitamos para fazer essa bela revisão de geografia. Acho que depois dessa não esqueço mais os nomes dos planetas! Difícil vai ser lembrar a ordem... Esse planetinha representa transformação e sexualidade. Libra é o signo que me acompanha nesse planeta. Portanto, sou uma pessoa equilibrada e justa. Bem, costumo perder o equilíbrio, mas tento ser justa. Durante a minha aula eu ouvi que sou “um pouco”. Mas eu juro que me dedico!
O meu ascendente parece ser o que tenho de melhor, mas eu não sei. Escorpião. Bicho danado. Me acrescenta um ar de mistério, me torna uma pessoa profunda (posso substituir por intensa?), passional, ligada ao sexo (ui!) e a transformação. Parece que sou alguém que guarda rancor também.
Descobri que existe mais uma coisa além dos planetas que se chama “Nodo Lunar”. O meu é representado por Libra e isso não parece ser algo bom. Apesar de tender a aceitar desafios, e de fato eu gosto, o desafio de ter essa parada associada à libra parece ser o mais difícil. E esse eu não escolhi.
Volto novamente à imagem da cenoura presa à testa... Isso me fez pensar muito sobre mim. Mas como gosto de pensar, não sei se falei sobre isso aí em cima, preciso refletir mais, discutir mais talvez. De todo modo é um assunto interessante, que me desafia e tem feito parte da minha rotina. Uma gostosa e nova rotina.
24 de abril de 2011
Ficar, refletir, paquerar...
Quando eu era mais nova tinha a idéia de dar o primeiro beijo em um homem por quem eu me sentisse apaixonada e desejava mais ainda que ele me quisesse como sua namorada e que nós pudéssemos firmar o nosso relacionamento e em um futuro mais distante casar, formando uma nova família como manda o figurino.
Acabou que por sorte de uma época onde estavam ocorrendo mudanças na maneira de lidar com o sexo oposto, ou melhor, na forma de criar vínculos relacionais entre homens e mulheres (com uma quase inexistente perspectiva de namoro), o meu primeiro beijo foi em alguém por quem eu sentia uma coisinha gostosa, não sei dizer hoje do que se tratava, mas na época eu entendia como paixão. Foi um momento do tipo mágico, inesquecível, mais do que esperado... ele era alguém com quem eu àquela época, gostaria de ter criado um vínculo mais duradouro. Mas não foi o que aconteceu...
Sempre escutei as histórias de família sobre como as pessoas se conheceram no passado, dos romances, dos relacionamentos, dos galanteios masculinos perante as mocinhas, das artimanhas femininas para burlar as regras de horário e encontrar seus amores... Era um mundo possível, pois havia existido, com personagens que ali contavam pessoalmente as suas histórias e a de seus contemporâneos como se vê em contos de fadas, com bruxas, príncipes, sonhos, realizações, lições de moral e logicamente, princesas. Tinha tudo isso nessas histórias reais. Pareciam-me histórias de amor bastante verdadeiras, com disputas pelo coração feminino, estratégias de conquista e paqueras que eram eficazes e inspiradoras. As mulheres se davam ao direito de escolher por atributos outros, o melhor par para construir uma vida a dois. Isso exigia dos homens e das mulheres estratégias mais elaboradas, criativas e inteligentes para aproximar-se e levar adiante os relacionamentos pelos quais acreditavam que valiam a pena.
De lá até a minha adolescência, quando a onda do "ficar" foi ganhando forma, me parece que algo foi se perdendo. Naquela época eu tinha dúvidas sobre o que era exatamente o tal do "ficar", sobre como tudo aquilo funcionava e mais ainda, algo que me intrigava demais: como era possível ter um momento íntimo (e entenda momento íntimo como beijar na boca, pelo menos naquele momento) com alguém por quem não sentimos afeição, admiração, respeito, ou um sentimento qualquer? Difícil... Tudo bem, eu tinha uma visão muito romântica do mundo a dois... muito romântica... e aquilo para a minha cabecinha era demais.
Não se falava em namoro e a paquera se restringia a poucas palavras. Na juventude não podemos perder tempo e partir para a ação era a ordem do momento. Se você demorasse, não se esperava muito. Parecia haver um contador rodando, tipo um taxímetro da pegação, onde não importava a qualidade do momento, mas a quantidade de gatinhas e gatinhos que se podia contabilizar. Isso certamente engrossou as nossas listas de beijos que lembramos hoje na idade adulta... O fato é que acabamos gradualmente aprendendo (aprendemos?) um pouco a lidar com essas modernidades e homens e mulheres foram modificando suas estratégias de paqueras ao longo dos anos. E o que antes era coisa de adolescente, hoje se reflete na idade adulta e muitos de nós perdemos a mão na hora de nos aproximarmos de alguém.
O respeito pelo outro foi se perdendo um pouco ao longo desse processo, e isso de um modo geral em nossos relacionamento cotidianos. Ganhamos uma coisa com isso tudo: insegurança. Não sabemos até onde ir, como, onde, quando... o que é mais "correto" ou "inadequado" (ainda existe algo inadequado?). Se nos declaramos, estamos indo rápido demais. Se não dizemos nada, somos frios e distantes, não demonstramos interesse. Se falamos que buscamos um relacionamento estável, estamos pedindo em casamento e isso, nem pensar! Se, se, se... E cria-se uma dúvida terrível sobre as expectativas que o outro tem sobre nós e mais, sobre o que efetivamente queremos quando entramos em qualquer tipo de relacionamento amoroso e até mesmo social de forma mais ampla.
Com tudo isso tenho percebido uma mudança na forma de olharmos o outro, de prestarmos atenção de fato e então nos sentirmos mais capazes para percebermos esse outro, entendermos esse outro, ainda que estejamos enxergando sob a nossa própria ótica. Desse modo creio que a paquera poderia voltar a ter o seu lugar. Não digo que ela não exista, mas sua forma atual tem se mostrado, na grande maioria das situações, efêmera, pontual, inespecífica, imediatista... E quando penso na paquera sinto como uma frase do Caetano Veloso: "... algo se perdeu, algo se quebrou, está se quebrando..."
Acabou que por sorte de uma época onde estavam ocorrendo mudanças na maneira de lidar com o sexo oposto, ou melhor, na forma de criar vínculos relacionais entre homens e mulheres (com uma quase inexistente perspectiva de namoro), o meu primeiro beijo foi em alguém por quem eu sentia uma coisinha gostosa, não sei dizer hoje do que se tratava, mas na época eu entendia como paixão. Foi um momento do tipo mágico, inesquecível, mais do que esperado... ele era alguém com quem eu àquela época, gostaria de ter criado um vínculo mais duradouro. Mas não foi o que aconteceu...
Sempre escutei as histórias de família sobre como as pessoas se conheceram no passado, dos romances, dos relacionamentos, dos galanteios masculinos perante as mocinhas, das artimanhas femininas para burlar as regras de horário e encontrar seus amores... Era um mundo possível, pois havia existido, com personagens que ali contavam pessoalmente as suas histórias e a de seus contemporâneos como se vê em contos de fadas, com bruxas, príncipes, sonhos, realizações, lições de moral e logicamente, princesas. Tinha tudo isso nessas histórias reais. Pareciam-me histórias de amor bastante verdadeiras, com disputas pelo coração feminino, estratégias de conquista e paqueras que eram eficazes e inspiradoras. As mulheres se davam ao direito de escolher por atributos outros, o melhor par para construir uma vida a dois. Isso exigia dos homens e das mulheres estratégias mais elaboradas, criativas e inteligentes para aproximar-se e levar adiante os relacionamentos pelos quais acreditavam que valiam a pena.
De lá até a minha adolescência, quando a onda do "ficar" foi ganhando forma, me parece que algo foi se perdendo. Naquela época eu tinha dúvidas sobre o que era exatamente o tal do "ficar", sobre como tudo aquilo funcionava e mais ainda, algo que me intrigava demais: como era possível ter um momento íntimo (e entenda momento íntimo como beijar na boca, pelo menos naquele momento) com alguém por quem não sentimos afeição, admiração, respeito, ou um sentimento qualquer? Difícil... Tudo bem, eu tinha uma visão muito romântica do mundo a dois... muito romântica... e aquilo para a minha cabecinha era demais.
Não se falava em namoro e a paquera se restringia a poucas palavras. Na juventude não podemos perder tempo e partir para a ação era a ordem do momento. Se você demorasse, não se esperava muito. Parecia haver um contador rodando, tipo um taxímetro da pegação, onde não importava a qualidade do momento, mas a quantidade de gatinhas e gatinhos que se podia contabilizar. Isso certamente engrossou as nossas listas de beijos que lembramos hoje na idade adulta... O fato é que acabamos gradualmente aprendendo (aprendemos?) um pouco a lidar com essas modernidades e homens e mulheres foram modificando suas estratégias de paqueras ao longo dos anos. E o que antes era coisa de adolescente, hoje se reflete na idade adulta e muitos de nós perdemos a mão na hora de nos aproximarmos de alguém.
O respeito pelo outro foi se perdendo um pouco ao longo desse processo, e isso de um modo geral em nossos relacionamento cotidianos. Ganhamos uma coisa com isso tudo: insegurança. Não sabemos até onde ir, como, onde, quando... o que é mais "correto" ou "inadequado" (ainda existe algo inadequado?). Se nos declaramos, estamos indo rápido demais. Se não dizemos nada, somos frios e distantes, não demonstramos interesse. Se falamos que buscamos um relacionamento estável, estamos pedindo em casamento e isso, nem pensar! Se, se, se... E cria-se uma dúvida terrível sobre as expectativas que o outro tem sobre nós e mais, sobre o que efetivamente queremos quando entramos em qualquer tipo de relacionamento amoroso e até mesmo social de forma mais ampla.
Com tudo isso tenho percebido uma mudança na forma de olharmos o outro, de prestarmos atenção de fato e então nos sentirmos mais capazes para percebermos esse outro, entendermos esse outro, ainda que estejamos enxergando sob a nossa própria ótica. Desse modo creio que a paquera poderia voltar a ter o seu lugar. Não digo que ela não exista, mas sua forma atual tem se mostrado, na grande maioria das situações, efêmera, pontual, inespecífica, imediatista... E quando penso na paquera sinto como uma frase do Caetano Veloso: "... algo se perdeu, algo se quebrou, está se quebrando..."
1 de abril de 2011
A frase impossível
"Se eu fosse homem..."
E logo em seguida vem alguma afirmação feminina na tentativa de explicar um comportamento masculino em relação a uma determinada situação que não consegue explicar enquanto mulher. Mas seria possível uma mulher pensar como um homem e vice versa?
Tentar explicar o pensamento do sexo oposto como se fizesse parte desse universo sem sê-lo me parece inconsistente.
Essa é uma frase muito comumente utilizada pelas mulheres na tentativa de se conformar com uma situação inexplicável do seu ponto de vista. Já a escutei de amigas (e até hoje escuto), assim como algum dia já tentei entender os comportamentos masculinos dessa maneira.
Que diferença da mulher o homem tem?
Antes de mais nada é preciso dizer que para mim homens e mulheres pensam e agem de maneiras diferentes, somos diferentes... Homens são mais práticos, objetivos, parecem tentar entender as situações com um olhar mais sistemático e direto, como se tentassem uma análise dos fatos (apenas especulando). Mulheres são mais emotivas, falantes, sonhadoras. Como se avaliassem as situações com um olhar subjetivo, interpretativo e relativo. Indícios de algumas diferenças (sendo desnecessário destacar as características físicas) são evidências de pesquisas que tem mostrado uma maior capacidade masculina para o desenvolvimento de habilidades espaciais e a capacidade feminina mais acentuada para o uso da linguagem (lembrem que as famosas "D.R." costumam começar com a mulheres...).
Isso já indica que nossas habilidades cerebrais estão voltadas principalmente para aspectos diferentes do ambiente e, portanto, temos formas diferentes de observar e lidar com ele.
Mas quais comportamentos tentamos explicar?
Eu diria que as mulheres tentam explicar tudo! É uma mania nossa. E isso eu não sei explicar!!! Nem tentaria... As mulheres solteiras, devido à própria condição, acabam por fazer uso dessa estratégia fadada ao fracasso muito mais frequentemente, visto que não conhecem intimamente seus parceiros (ainda que essa frase me pareça muito contraditória...rs). As mulheres que tem um relacionamento estável, ainda que conheçam melhor os seus parceiros, não tem a garantia de estabilidade que tanto buscam nesse tipo de relacionamento, caindo na mesma armadilha de explicações femininas para ações masculinas, quando necessário. Mas um relacionamento estável nos traz maior segurança e confiança no parceiro, sendo menos necessárias tais tentativas.
Diante disso, reafirmo a impossibilidade de se colocar no lugar de um outro que possui características próprias e que desse modo, se apresenta de maneira diferente na forma de se relacionar com o outro. A mania de querer saber é que nos leva a criar alternativas que nos acalmem, acalmem nossos corações quando algo parece inexplicável. Tentar explicar é algo humano, nos orienta no tempo, no espaço e nos nossos relacionamentos. "Mas por que ele fez isso?"
Bom, quando aprendemos que não se pode entender tudo e que isso faz parte de um certo mistério dos relacionamentos, ainda que muitas vezes angustiante, talvez possamos aprender a nos relacionarmos com o sexo oposto (ou mesmo com o outro) de forma mais genuína, tentando entendê-lo (inevitável não fazê-lo) a partir da nossa própria perspectiva, apenas como uma forma de acalmar nossa ansiedade por não sermos capazes de saber tudo.
E logo em seguida vem alguma afirmação feminina na tentativa de explicar um comportamento masculino em relação a uma determinada situação que não consegue explicar enquanto mulher. Mas seria possível uma mulher pensar como um homem e vice versa?
Tentar explicar o pensamento do sexo oposto como se fizesse parte desse universo sem sê-lo me parece inconsistente.
Essa é uma frase muito comumente utilizada pelas mulheres na tentativa de se conformar com uma situação inexplicável do seu ponto de vista. Já a escutei de amigas (e até hoje escuto), assim como algum dia já tentei entender os comportamentos masculinos dessa maneira.
Que diferença da mulher o homem tem?
Antes de mais nada é preciso dizer que para mim homens e mulheres pensam e agem de maneiras diferentes, somos diferentes... Homens são mais práticos, objetivos, parecem tentar entender as situações com um olhar mais sistemático e direto, como se tentassem uma análise dos fatos (apenas especulando). Mulheres são mais emotivas, falantes, sonhadoras. Como se avaliassem as situações com um olhar subjetivo, interpretativo e relativo. Indícios de algumas diferenças (sendo desnecessário destacar as características físicas) são evidências de pesquisas que tem mostrado uma maior capacidade masculina para o desenvolvimento de habilidades espaciais e a capacidade feminina mais acentuada para o uso da linguagem (lembrem que as famosas "D.R." costumam começar com a mulheres...).
Isso já indica que nossas habilidades cerebrais estão voltadas principalmente para aspectos diferentes do ambiente e, portanto, temos formas diferentes de observar e lidar com ele.
Mas quais comportamentos tentamos explicar?
Eu diria que as mulheres tentam explicar tudo! É uma mania nossa. E isso eu não sei explicar!!! Nem tentaria... As mulheres solteiras, devido à própria condição, acabam por fazer uso dessa estratégia fadada ao fracasso muito mais frequentemente, visto que não conhecem intimamente seus parceiros (ainda que essa frase me pareça muito contraditória...rs). As mulheres que tem um relacionamento estável, ainda que conheçam melhor os seus parceiros, não tem a garantia de estabilidade que tanto buscam nesse tipo de relacionamento, caindo na mesma armadilha de explicações femininas para ações masculinas, quando necessário. Mas um relacionamento estável nos traz maior segurança e confiança no parceiro, sendo menos necessárias tais tentativas.
Diante disso, reafirmo a impossibilidade de se colocar no lugar de um outro que possui características próprias e que desse modo, se apresenta de maneira diferente na forma de se relacionar com o outro. A mania de querer saber é que nos leva a criar alternativas que nos acalmem, acalmem nossos corações quando algo parece inexplicável. Tentar explicar é algo humano, nos orienta no tempo, no espaço e nos nossos relacionamentos. "Mas por que ele fez isso?"
Bom, quando aprendemos que não se pode entender tudo e que isso faz parte de um certo mistério dos relacionamentos, ainda que muitas vezes angustiante, talvez possamos aprender a nos relacionarmos com o sexo oposto (ou mesmo com o outro) de forma mais genuína, tentando entendê-lo (inevitável não fazê-lo) a partir da nossa própria perspectiva, apenas como uma forma de acalmar nossa ansiedade por não sermos capazes de saber tudo.
Assinar:
Postagens (Atom)